“Meu filho adolescente precisa operar. Mas e o emocional dele?”

Essa preocupação não é exagero de mãe ou pai ansioso.

É intuição. É amor!

O cérebro do adolescente ainda está em obra.
O lobo frontal — região localizada na parte anterior do cérebro, responsável por tomada de decisão, controle de impulsos, planejamento e regulação emocional — só termina sua maturação por volta dos 25 anos.

Isso significa que um adolescente de 15, 16, 17 anos opera literalmente com um sistema de controle executivo incompleto.

Não é imaturidade de comportamento. É neurologia de desenvolvimento.

Impulsividade alimentar e impulsividade emocional são o mesmo circuito.

Quando um adolescente come de forma compulsiva, raramente é só sobre comida.

É sobre regular emoção com o recurso disponível. E num cérebro com lobo frontal ainda em formação, a capacidade de escolher outras formas de regulação emocional é genuinamente limitada — não por falta de vontade, mas por falta de estrutura neurológica para isso.

A cirurgia remove o recurso. Mas não oferece outro automaticamente.

Se não houver trabalho paralelo de desenvolvimento emocional, o cérebro adolescente vai procurar outro atalho. Álcool, impulsividade em relacionamentos, comportamentos de risco. O mesmo mecanismo de transferência de vício que ocorre em adultos — num sistema ainda mais vulnerável.

Imagem corporal em formação.

A adolescência é o período crítico de construção da identidade — e o corpo é parte central dessa construção.

Operar nesse momento significa intervir cirurgicamente num processo identitário ainda aberto. A relação que o adolescente estava construindo com o próprio corpo muda de forma abrupta, antes que ele tivesse tempo de desenvolvê-la.

Isso pode ser positivo quando bem acompanhado. E pode ser desestruturante quando não é.

A diferença está no suporte psicológico antes, durante e depois — não como protocolo burocrático, mas como parte real do tratamento.

A pressa pode custar maturidade neurológica.